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Festa, que festança!

Carnaval é festa do demônio. Este mantra é repetido nas igrejas evangélicas – das mais liberais até, evidentemente, às mais conservadoras, tradicionalistas. É uma afirmação que ecoa ao lado de outra muito famosa: “o diabo é o pai do rock”, o que leva a acreditar que toda e qualquer dança, principalmente aquelas com movimentos mais intensos, é em homenagem ao pai do rock. Ao que me parece o entendimento sobre a paternidade do rock tem sido contestada nos tribunais das próprias igrejas (neo)pentecostais ou tradicionalistas. Em favor de todas elas os advogados têm argumentado, perante os jurados, que o criador da música não é ninguém menos do que o Todo Poderoso, e, se não bastasse, fora roubado por um anjo, devidamente punido por esse ato. Tem havido aceitação consensual na argumentação de modo que surge espaço para outras manifestações artísticas no interior dos templos. Todavia, noto que não existem posições acintosas contra o carnaval como existe em favor dos gêneros musi...

O mar.

O céu não é o mar; No céu não está o mar. Agora olhe o mar e veja se no céu Está o mar. Omar março marco arco barco. Embaço olhar o mar e ver o céu salpicando nos olhos, cabelos e pele a espera da espuma que flutua com o ar. Ah! O ar molemente dança do poente até o nascente e vê todas as claras ondas roendo as pedras duras, dura, dura durante a transmutação da rocha em parte do mar. A pedra parte e integra-se à sua outra parte. Seu mar.

Líquido vapor; vapores liquidados

Sinais nos altos, cabelos e faces. Umidificadas, revigoradas. Sonhadas.  No solo impregnado o cimento somou-se ao asfalto. Bloqueio. Pavor e vigor duelam incansavelmente. Esvai-se na continua mistura de estados: gasoso líquido – líquido gasoso. Necessária, incomparável. Substantivo feminino. Vital. Água!

Estupro de homens e mulheres

Sol com ascendente no dinheiro público, torturas e massacre de inocentes nos hemisférios norte e sul combinando com a face oculta da lua dos países ricos, indica que o momento é favorável às mudanças. As nações ricas do Ocidente e Oriente sempre deram um jeitinho de esconder a verdadeira natureza da miséria nos chamados países pobres, muito pobres e miseráveis. Os ricos, muito ricos, sempre apresentaram a receita para envio de donativos, condução de projetos sociais e até cálculos para erradicação da miséria. A receita está prontinha, pintada pelas imagens dos astros do cinema e dos esportes, embalada por músicas compostas e cantadas por gente afinada e badalada nos quatro cantos do planeta. Dias, semanas, meses, anos e décadas depois das cantorias, exibições, aparições sensacionalistas e adoção de crianças esquálidas, tudo permanece como antes: nenhuma mudança. Mais shows, gritaria, estupros de homens e mulheres nas guerras motivadas pelo ódio religioso, étnico e econôm...

Todo homem nordestino é rude!

Economia crescente, investimentos públicos, transferências de plataformas operacionais de companhias consolidadas no eixo sul/sudeste em sintonia com programas de distribuição de renda fazem com que cidades como Salvador inaugurem três grandes shoppings no período de 6 anos. Isto sem falar no número de edifícios residenciais e comerciais no mesmo período. Para efeito de ilustração nem a gigante Casas Bahia tinha loja na capital baiana em data anterior ao ano de 2006. No interior, da Bahia, num povoado qualquer, uma enfermeira [graduada em 2009] dirige o Programa Saúde da Família no posto de saúde local. Ela, um médico, um dentista e mais um bom punhado de agentes comunitárias cobrem toda a área. Funciona assim: todos os moradores da região – algo em torno de três mil e quinhentas pessoas – estão cadastrados; a agenda do posto está distribuída de maneira que, em cada dia da semana, um segmento da população é atendido. O conceito é o de medicina preventiva. Casos graves são encam...

Paixão

Carlos Drummond de Andrade, inconfundível poeta brasileiro, mineiro por excelência, escreveu um poema intitulado “Cidadezinha qualquer”. O sol, o ruído nas ruas, o andar das pessoas e o tique-taque dos relógios são uma fotografia viva ou, se preferir, uma "intervenção artística". O poema transporta o leitor para uma cidadezinha, qualquer, e esta para o interior dele. A simbiose é imediata tanto para quem já visitou uma pacata cidade do interior quanto para quem nasceu e foi criado naquele universo descrito por Drummond. Não importa, o poema encarrega-se de promover esse encontro. Se alguém, que não tem o hábito cotidiano, parar diante da tv, no "horário nobre", para assistir Passione automaticamente é confrontado pelo elenco "fabuloso" e sua atuação na referida telenovela. Não é necessário recorrer a Aristóteles, à Poética, para entender o conceito de verossimilhança. Mas se o leitor tiver interesse procure pela obra, leia alguns capítulos, se nã...