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A seca, a fome, a nudez e o abandono “Não chore, não corra, não grite. É assim mesmo. Acontece todos os anos. Sempre ouvimos falar, vemos os vídeos, as fotografias são contundentes. Ninguém pode fazer nada. É um fenômeno da natureza, não é? Assista sempre as reportagens na televisão e você vai notar que o assunto é o mesmo. Aliás, os jornalistas são muito corajosos, deixam esposa/o filhos para mostrar o que está acontecendo pelo mundo. A gente tem que se conformar.” O relato acima é ficcional, mas com um pouco de paciência, poderia ser extraído em qualquer desses encontros matinais numa padaria, na fila do hospital, agência bancária... tanto numa metrópole quanto numa pacata cidade interiorana. Há um torpor que se limita com o resíduo de uma anestesia que reluta em ser eliminada através da urina, das fezes, pelo suor... Ela insiste em habitar num organismo que lhe fora concedido provisoriamente. As retinas estão “coladas”, engessadas, o sistema auditivo, ao long...
Negro   I am a Negro:         Black as the night is black,         Black like the depths of my Africa.  I’ve been a slave:        Caesar told me to keep his door-steps clean.        I brushed the boots of Washington.  I’ve been a worker:        Under my hand the pyramids arose.        I made mortar for the Woolworth Building.    I’ve been a singer:        All the way from Africa to Georgia        I carried my sorrow songs.        I made ragtime.   I’ve been a victim:        The Belgians cut off my hands in the Congo.        They lynch me now in Mississi...

Bárbaros!

Barbaridade, a velha imprensa escreve há tanto tempo e ainda não sabe que sempre existiu variedade linguística! Foi necessário o Nunca Dantes, “que não fala inglês”, mexer na base da pirâmide social para notarem que os pobres, vejam só, a classe c também fala e escreve. Entretanto não escreve do mesmo jeito que “a elite branca”. Isto é um absurdo! Bradariam “os sábios”, defensores da moral e dos bons costumes – empregar a norma culta e somente ela é um bom costume. Lembra-se do velho bordão escravagista: “preto de alma branca”? Esses bárbaros fingem de mortos, apenas fingem. Por baixo dessa fumacinha há sinais indicando até onde a turba pode ir. Quer dizer, consumir, endividar-se é possível, mas manifestar sua opinião, manter suas raízes culturais... aí é muito!

Máquina para moer gente

Nós, professores e professoras, profissionais do ensino, não temos utilizado a Educação como ferramenta para denunciar à sociedade o sistema econômico e social que, diariamente, deixa de lado o cumprimento de suas funções básicas para atender, como prioridade, as exigências e interesses de grupos sociais detentores do capital e do poder. Isto é visível quando não são executadas as determinações previstas em lei no tocante à educação básica – ensino fundamental e médio. Aos filhos dos pobres e excluídos são lhes oferecidas salas de aula superlotadas; improvisadas e duvidosas concepções pedagógicas; prédios com espaços incompatíveis do ponto de vista arquitetônico, acústico e de iluminação (há escolas públicas nas quais a alcunha de presídio só não é mera figura retórica em virtude da ausência de elementos outros que caracterizam cadeias e institutos de detenção); material didático adquirido sem cumprir os ritos da legislação no que tange aos processos de licitação; plano de carreira ofe...

Carta do gerente aos membros do clube – seção AL.

Senhores membros, Quero ser breve, objetivo. Conforme circular, inadvertidamente publicada, venho por intermédio desta reforçar a urgência de não perdermos de vista o comprometimento e empenho de todos ratificado em nossos encontros. Não obstante, temos encontrado falhas imensas as quais, devo dizê-los com tristeza, nos custarão muito. São elas: Por que ainda não conseguiram privatizar o ensino nos estados do Sudeste brasileiro? Não adianta tro-ló-ló como resposta. As condições estão dadas. Até a ajuda de um desequilibrado surgiu e ninguém está tirando proveito. As universidades públicas continuam sendo as melhores: vocês conseguem enxergar que este dinheiro poderia ser nosso? O ataques aos professores tem diminuído! Por que as emissoras líderes em audiência já não conseguem emplacar níveis de participação tão grandes quanto 10 anos atrás? É preciso dizer com maior veemência que internet custa caro. As pessoas deixarão de comer para pagar conta de banda larga, pagar prestaçã...

Festa, que festança!

Carnaval é festa do demônio. Este mantra é repetido nas igrejas evangélicas – das mais liberais até, evidentemente, às mais conservadoras, tradicionalistas. É uma afirmação que ecoa ao lado de outra muito famosa: “o diabo é o pai do rock”, o que leva a acreditar que toda e qualquer dança, principalmente aquelas com movimentos mais intensos, é em homenagem ao pai do rock. Ao que me parece o entendimento sobre a paternidade do rock tem sido contestada nos tribunais das próprias igrejas (neo)pentecostais ou tradicionalistas. Em favor de todas elas os advogados têm argumentado, perante os jurados, que o criador da música não é ninguém menos do que o Todo Poderoso, e, se não bastasse, fora roubado por um anjo, devidamente punido por esse ato. Tem havido aceitação consensual na argumentação de modo que surge espaço para outras manifestações artísticas no interior dos templos. Todavia, noto que não existem posições acintosas contra o carnaval como existe em favor dos gêneros musi...

O mar.

O céu não é o mar; No céu não está o mar. Agora olhe o mar e veja se no céu Está o mar. Omar março marco arco barco. Embaço olhar o mar e ver o céu salpicando nos olhos, cabelos e pele a espera da espuma que flutua com o ar. Ah! O ar molemente dança do poente até o nascente e vê todas as claras ondas roendo as pedras duras, dura, dura durante a transmutação da rocha em parte do mar. A pedra parte e integra-se à sua outra parte. Seu mar.