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Inconcluso.

O começo da vida de trabalhador deu-se vendendo doces, depois trabalhando em bares. Mais tarde aprendi a tirar retratos para documentos oficiais. A fotografia foi meu primeiro contato com um mundo mais amplo do que aquele que eu conhecia. Em São Paulo, cursei a faculdade de Letras (“Mogi, Mogi, a terra do caqui... “). Trabalho e curto língua portuguesa e literatura. A fotografia agora é um robby.
Ainda aqui na terra da garoa, conheci a graça regeneradora de Jesus Cristo. Na Igreja Evangélica Comunidade da Graça, conheci a bela Elisabete. Casamos, temos duas filhas - Isabella e Larissa. Deus é a minha alegria, "o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus em quem confio".
Escrever é sempre um risco duplo. Primeiro é o risco de não ser aceito, compreendido. Todo ato de escrita é um ato de exposição. Disto decorre todo evento humano: ser aceito pelo outro. Assim aconteceu com Adão – ele fugiu, escondeu-se porque o que fizera causaria reprovação. “Será que este cara não poderia escrever algo melhor?” O segundo risco é contrário ao primeiro: se não se escreve não se sabe qual a possibilidade de contribuir com alguma coisa para “refrescar”, sacudir o próximo, etc. O anonimato é uma covardia ou uma virtude? Não se trata da possibilidade da explosão, do sucesso midiático, dos holofotes. Há muita gente inteligente por esse “sertão de meu Deus” que faz as coisas acontecerem sem, contudo, ostentar poder, exibir-se.
Eu gosto da escrita porque ela traz consigo esse algo singular que é o de registrar, registrar-se enquanto gente. Você explica pra si mesmo as contradições do mundo que lhe envolve. Consegue acolher, reprovar-se. A escrita é, de fato, um espelho que pode distorcer ou não a imagem daquele autor. Isto digo para ficar apenas na esfera autoral. É bacana conhecer o outro que viveu antes. Seus conflitos, desafios. Os avanços que o Homem desenvolveu estão ao conhecimento de todos por intermédio da escrita. O contrário também é verdade: como é o mundo de uma pessoa que não desenvolveu a habilidade de leitura e de escrita? É estupidez acreditar que só tem vida plena aquele que domina os meandros da escrita. Os estudos linguísticos, sociais e antropológicos comprovam que há pessoas com um amplo saber, adquirido mesmo a despeito da não alfabetização plena. Um sujeito que consegue falar de economia, relações políticas – partidárias e não partidárias, meio-ambiente, justiça, etc. sem jamais ter frequentado os bancos escolares. O oposto é uma lástima, também em mão dupla. A primeira porque não é alfabetizado e esse saber não poderá ser compartilhado, por ele mesmo, com outras gerações. A segunda via é porque temos muitos homens e mulheres portadores, até de diplomas de pós-graduação, mas que são desarticulados dos assuntos triviais da lida cotidiana. Isto não quer dizer que o diploma é quem inabilita a pessoa. Do mesmo modo que há pessoas que são analfabetas e também desarticulados.

Comentários

  1. "É estupidez acreditar que só tem vida plena aquele que domina os meandros da escrita."

    Eh corajoso dizer isto! estamos fazendo um apelo ao analfabetismo?
    Mas como o precipitado come cru...
    Penso que è verdade o que escreveste! e corramos a vasculhar em nossas memorias do oeste baiano pra ver tantos e tantos exemplos disso!
    Meu pai tinha vida plena! e penso que foi apenas alfabetizado! eu escrevi cartas pra ele como em Central do Brasil... era lindo! e tantos outros exemplos ali...
    Coragem sim, pq nao è o que temos que nos torna dominadores, mas aquilo para o qual fomos criados: crescei, multiplicai, enchei a terra e dominai sobre tudo...
    Deus capacita os escolhidos.

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Um texto é sempre inconcluso.

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