Quando esta postagem foi criada, em 26 de setembro de
2010, o fiz motivado, emocionado que estava pela audição de “Wish
I Stayed”, na voz de Ellie Goulding. A alternância de sons
sibilantes com os acordes do violão desequilibra os ouvidos de quem
está habituado com as invasivas e repetitivas canções executadas em
emissoras de rádio (am/fm), nos auditórios dos “programas”
ditos televisivos cuja invasão se dá, além das salas, hóspede
habituè, pelas cozinhas, dormitórios, restaurantes, estações
rodoviárias e, até, em leitos hospitalares: não precisa pedir,
ela já está lá quentinha, como um prato de comida, ansioso pela
chegada do primeiro faminto que aparecer à sua frente.
Linguagem é qualquer sistema de sinais, ou signos,
através dos quais dois seres se comunicam entre si para transmitir e
receber informações, avisos, expressões de emoção ou sentimento
etc. Embora existam sistemas de linguagem entre animais e até
vegetais, é no homem que ela atinge altos níveis de
aperfeiçoamento, que se expressam em grande acuidade, expressividade
e potencial de armazenamento e memorização, condição básica para
a construção de conhecimento e formação de cultura.
Disponível em: http:// aulete.uol.com.br/ Acesso em 12
maio 2012.
Deixando o rancor e o asco às investidas do
capitalismo selvagem, a linguagem elaborada com esmero ou não,
proporciona ao ser humano prazer, alegria, contentamento, medo,
ansiedade – ouça uma boa transmissão de uma partida de futebol –
independente de sua condição social ou faixa etária. A fala de um
homem ou mulher do meio rural é carregada de uma melodia própria
que legitima a identidade do falante. Aquele que é nascido e
criado nos centros urbanos populosos também carregam em sua fala e
modo de andar uma melodia que lhe é característica, contudo
singular a todos os moradores dos centros urbanos. Ouso dizer de
qualquer brasileira, estadunidense ou europeia – as metrópoles ou
megalópoles. Confira as vestimentas deles e notará a gênese que
concebe a cada um deles (ainda que separados por grupos sociais,
clima e geografia).
O contrário, já não se aplica: um homem do meio
rural, do interior do estado de São Paulo, (Vale do Paraíba, Vale
do Ribeira, piracicabano [note que há diferenças linguísticas
entre os grupos citados]) não é igual aos mineiros,
mato-grossenses-do-sul, baianos – do litoral e do sertão –
paraibanos, etc. Muito menos ao japonês rural, o estadunidense.
Não
somos todos iguais. Encontrar a diferença no outro é frear o ritmo
alucinado em que vivemos para apreciar, [aproveitar o prazer] que
existe na maneira de externar as alegrias, de exacerbar as angústias
e aflições: do porque da vida. Não é preciso ser um erudito para
isto. Basta ter coração, compaixão, encontrar a beleza no embalo
de uma cadeira de playground,
na fala arrastada, lenta, do idoso... na música que embala os netos
e faz lembrar a infância distante do adulto. O choro nas noites
frias, o trocar a fralda cheia de... Mamãe, feliz dia das mães.
Minha esposa Bete, feliz dia das mães!
P.S.: o vídeo, “Wish I Stayed”, com a apresentação de Ellie Goulding foi desabilitado pelo detentor de seus direitos autorais. Não sou contrário a isto uma vez que não tinha a permissão para anexá-lo em minha página. A proteção ao trabalho do artista deve ser vigiada, preservada, sempre. Há casos e casos: minha página não visa lucros. Escrevo porque sou das letras. Aliás, todos os dias aprendo a escrever. Exercito a arte, como um atleta que treina com regularidade.
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