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Minha doce Manhatan!

O Brasil segue um caminho do qual não pode desviar-se: remover a miséria, injustiça e corrupção. A ascensão social é para todos, para sempre. O desafio é concentrar esforços para transformar reação em ação contínua.
Estamos chegando ao final do ano. Festejos, gastos, planos, viagens, emoções de encontro e reencontro são a tônica desse período na vida não só dos brasileiros. Estamos acostumados a passear e gastar um pouco mais do que deveríamos, mesmo sabendo que o índices de arrecadações alcançam novos patamares, o receituário é repetido anos após anos: “ninguém é de ferro”.
E ninguém é de ferro, mesmo. Às vezes, o peso é retirado da consciência, atenuado, sublimado, pelos gestos de bondade que fazemos. Ora um panetone para um desconhecido no semáforo, uma cesta básica para alguém reconhecidamente carente ou a doação daquelas roupas ou calçados que... já não servem mais – fora de moda, desbotadas: já compramos outras mesmo!
Bem, comprar ou não comprar não é a questão. Vivemos, internamente, um momento de prosperidade financeira, emprego em qualquer região do país, o Rio de Janeiro conquistando emancipação do tráfico, da violência urbana e do crime organizado. Após a eleição de uma mulher para presidente da república, os ares que respiramos são de comodidade, alívio e projetos. Para todos os lados o que se ouve ou que se vê são planos: a viagem de férias via aérea, trocar o carro popular por um modelo que tenha mais conforto, viagem à Europa – bens de consumo ou não, são planos. Contudo, não é o bem de consumo que devemos planejar, mas sim a construção de mecanismos para o combate à endêmica corrupção que perpassa as diversas esferas de poder e instituições. Já não é mais tempo de olhar para o garoto de rua, os altos salários dos mandatários políticos, o desvio de função de policiais, invasão de mananciais, insuficiência do atendimento na saúde pública e o péssimo salário e qualificação dos professores como um problema do outro. O outro “Disse o Senhor a Caim: onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: não sei; acaso sou eu tutor de meu irmão? (Gênesis 4:9)
Ah, o outro! Para que preocupar-me com ele? “Quando só a gente morava aqui era ótimo!” exclamou a moradora de um condomínio de “quase” médio padrão, referindo-se aos moradores dos prédios recém construídos naquele condomínio. Aliás, os novos moradores são obra do atual momento econômico. Esse desassossego cristaliza a vontade de “subir na vida” desde que o outro não suba ou, em melhor hipótese, que o outro seja a escada e, eu, lá de cima, possa atirar uma moedinha para a empregada doméstica, para o filho do porteiro, do lavador de carros e fique com os olhos marejados pelos enfeites de natal nas alamedas dos shoppings e prédios da Avenida Paulista, minha doce Manhattan dos trópicos!
O Brasil segue um caminho do qual não pode desviar-se: remover a miséria, injustiça e corrupção. A ascensão social é para todos, para sempre. O desafio é concentrar esforços para transformar reação em ação contínua.
Estamos chegando ao final do ano. Festejos, gastos, planos, viagens, emoções de encontro e reencontro são a tônica desse período na vida não só dos brasileiros. Estamos acostumados a passear e gastar um pouco mais do que deveríamos, mesmo sabendo que o índices de arrecadações alcançam novos patamares, o receituário é repetido anos após anos: “ninguém é de ferro”.
E ninguém é de ferro, mesmo. Às vezes, o peso é retirado da consciência, atenuado, sublimado, pelos gestos de bondade que fazemos. Ora um panetone para um desconhecido no semáforo, uma cesta básica para alguém reconhecidamente carente ou a doação daquelas roupas ou calçados que... já não servem mais – fora de moda, desbotadas: já compramos outras mesmo!
Bem, comprar ou não comprar não é a questão. Vivemos, internamente, um momento de prosperidade financeira, emprego em qualquer região do país, o Rio de Janeiro conquistando emancipação do tráfico, da violência urbana e do crime organizado. Após a eleição de uma mulher para presidente da república, os ares que respiramos são de comodidade, alívio e projetos. Para todos os lados o que se ouve ou que se vê são planos: a viagem de férias via aérea, trocar o carro popular por um modelo que tenha mais conforto, viagem à Europa – bens de consumo ou não, são planos. Contudo, não é o bem de consumo que devemos planejar, mas sim a construção de mecanismos para o combate à endêmica corrupção que perpassa as diversas esferas de poder e instituições. Já não é mais tempo de olhar para o garoto de rua, os altos salários dos mandatários políticos, o desvio de função de policiais, invasão de mananciais, insuficiência do atendimento na saúde pública e o péssimo salário e qualificação dos professores como um problema do outro. O outro “Disse o Senhor a Caim: onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: não sei; acaso sou eu tutor de meu irmão? (Gênesis 4:9)
Ah, o outro! Para que preocupar-me com ele? “Quando só a gente morava aqui era ótimo!” exclamou a moradora de um condomínio de “quase” médio padrão, referindo-se aos moradores dos prédios recém construídos naquele condomínio. Aliás, os novos moradores são obra do atual momento econômico. Esse desassossego cristaliza a vontade de “subir na vida” desde que o outro não suba ou, em melhor hipótese, que o outro seja a escada e, eu, lá de cima, possa atirar uma moedinha para a empregada doméstica, para o filho do porteiro, do lavador de carros e fique com os olhos marejados pelos enfeites de natal nas alamedas dos shoppings e prédios da Avenida Paulista, minha doce Manhattan dos trópicos!

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