“Viver
é perigoso!”*
O
que você tem a dizer sobre esta frase – ela está correta,
transmite certeza? Mas como é que podemos fazer para ultrapassar a
linha do perigo e viver? Ou, se não houver perigo não é viver?
Voê
já viveu grandes perigos este ano? Olha que ainda estamos só no
cemecinho do segundo semestre. Pois é, são terremotos e mais
terremotos aqui em nosso quintal – porque é fácil dizer “as
garotas nigerianas sequestradas pelo Boko Haram”, o Nepal...
Quando
olhamos para o outro e suas misérias abandonamos nossa indigência.
Agarramo-nos num cipoal de certezas que nos leva a um êxtase
inenarrável. Veja você os registros de intolerância, racismo,
ódio, exclusão social e desejo de vigança. Não são exclusivos
desses dias: exacerbam-se não porque há número maior de veículos
e meios de comunicação, mas porque não é possível escondê-los.
Nascem, tomam forma e multiplicam-se no seio da sociedade como
produto, filho dela mesma. É um parto normal! Sem distinção de cor
de pele e ou classe social.
Qual
é o estilo de vida esgotado? De qual bacia de valores nós nos
desfizemos? Antigamente...
Antigamente foi jogado no lixo por inteiro ou pela metade? A latência está na aquisição de bens materiais – casa própria, automóveis, viajens, crédito para aquisição do que é necessário e para o inutil?
Antigamente foi jogado no lixo por inteiro ou pela metade? A latência está na aquisição de bens materiais – casa própria, automóveis, viajens, crédito para aquisição do que é necessário e para o inutil?
Vivemos
um ciclo – início ou fim – no qual o ideal mais elevado é viver
o senso comum ao extremo: a mãe que não consegue inspirar seu filho
a investir na vida estudantil como projeto de vida pessoal – “tanto
faz a aprovação por esforço ou porque o “sistema” o excluiu
das salas de aulas”; o pai dá as costas para a filha porque não
há argumentos capazes de mudar a opinião da moça sobre...
autoestima, banalização da violência contra a mulher; erotização
da infância; hedonismo -
“substantivo masculino
1.
ét
cada uma das doutrinas que concordam na determinação do prazer como
o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral, embora se
afastem no momento de explicitar o conteúdo e as características da
plena fruição, assim como os meios para obtê-la. 2.
p.ext.
modo de vida inspirado no ou evocativo do hedonismo; dedicação ao
prazer como estilo de vida.”
Podemos
acalentar o desejo do totalitarismo como resposta para todos os
males: historicamente, onde essa regime de governo consolidou o
desenvolvimento da espécie em patamar melhor do que aquele no qual
ela se encontrara? Os textos, as imagens narram que as respostas
simples são a abertura de poços de tragédias – em sua maioria
irremediáveis.
De
quais habilidades, hábitos de vida devemos nos apropriar para que
nossos filhos sejam melhores; a relação com o desconhecido seja
cordial e tolerável; o erro seja perdoado; o dinheiro não seja
motivo de desprezo àquele que não o tem?
“Viver
é perigoso!” Podemos dominar nossos medos para que o outro tenha
paz?
*
“Viver é perigoso!” é uma frase do autor João Guimarães Rosa
em seu fantástico romance Grande Sertão: Veredas.
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