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Contar estrelas

Aproveitar a vida é sempre um exercício duplo: ousadia e prudência constituem-se numa argamassa especial para construir e compartilhar histórias; para ser ouvinte de histórias e, ainda, inspirar histórias duradouras no cotidiano de pessoas verdadeiras, apaixonadas pela vida, pela família e amigos. Os pássaros, as árvores e as nuvens existem todos os dias, contudo, nem sempre estamos atentos ao seu canto, sua folhagem e à sua sombra. Estão disponíveis à espera de um caminheiro que possa ouvir seu canto, abrigar-se em sua sombra,  olhar para o alto e imaginar - como criança - as imagens formadas e deformadas pelo vento. Ser aniversariante é, desculpe-me o excesso de pretensão, em companhia dos amigos que o Senhor nos acrescenta, contar as estrelas nas noites frias ou calorentas e dizer para os ouvidos entenderem: “Confia no SENHOR e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade.” Salmos 37.3

Aragem política

Sou fã de literatura. É um rio que transborda, remove sujidades, espalha novas ideias por vias nas quais a águinha de todos os dias, emangueirada, não consegui produzir os mesmos efeitos. Quando se acessa um novo autor, ou velho conhecido, mas ainda não lido, tem a sensação física, emocional e odorífera de um tempo após a chuva. Tomei coragem para começar a ler um clássico habitué da literatura latino-american, Pablo Neruda. São textos deliciosos. Impressionou-me o fato de encontrar ali poemas nos quais se explicita a mediocridade deixada como legado pelo colonizador europeu no continente americano – do centro ao sul. Estamos tão acostumados a ouvire ler textos simplórios sobre os desdobramentos culturais, econômicos, humanos e sociais resultantes dos séculos de colonização, que não damos a devida importância ao que de fato ocorreu/ocorre. Vergonhosamente, encaramos os nossos vizinhos com singelo olhar exótico. Sem contar que, nós brasileiros, “atravessamos para a Eu...
A seca, a fome, a nudez e o abandono “Não chore, não corra, não grite. É assim mesmo. Acontece todos os anos. Sempre ouvimos falar, vemos os vídeos, as fotografias são contundentes. Ninguém pode fazer nada. É um fenômeno da natureza, não é? Assista sempre as reportagens na televisão e você vai notar que o assunto é o mesmo. Aliás, os jornalistas são muito corajosos, deixam esposa/o filhos para mostrar o que está acontecendo pelo mundo. A gente tem que se conformar.” O relato acima é ficcional, mas com um pouco de paciência, poderia ser extraído em qualquer desses encontros matinais numa padaria, na fila do hospital, agência bancária... tanto numa metrópole quanto numa pacata cidade interiorana. Há um torpor que se limita com o resíduo de uma anestesia que reluta em ser eliminada através da urina, das fezes, pelo suor... Ela insiste em habitar num organismo que lhe fora concedido provisoriamente. As retinas estão “coladas”, engessadas, o sistema auditivo, ao long...
Negro   I am a Negro:         Black as the night is black,         Black like the depths of my Africa.  I’ve been a slave:        Caesar told me to keep his door-steps clean.        I brushed the boots of Washington.  I’ve been a worker:        Under my hand the pyramids arose.        I made mortar for the Woolworth Building.    I’ve been a singer:        All the way from Africa to Georgia        I carried my sorrow songs.        I made ragtime.   I’ve been a victim:        The Belgians cut off my hands in the Congo.        They lynch me now in Mississi...

Bárbaros!

Barbaridade, a velha imprensa escreve há tanto tempo e ainda não sabe que sempre existiu variedade linguística! Foi necessário o Nunca Dantes, “que não fala inglês”, mexer na base da pirâmide social para notarem que os pobres, vejam só, a classe c também fala e escreve. Entretanto não escreve do mesmo jeito que “a elite branca”. Isto é um absurdo! Bradariam “os sábios”, defensores da moral e dos bons costumes – empregar a norma culta e somente ela é um bom costume. Lembra-se do velho bordão escravagista: “preto de alma branca”? Esses bárbaros fingem de mortos, apenas fingem. Por baixo dessa fumacinha há sinais indicando até onde a turba pode ir. Quer dizer, consumir, endividar-se é possível, mas manifestar sua opinião, manter suas raízes culturais... aí é muito!

Máquina para moer gente

Nós, professores e professoras, profissionais do ensino, não temos utilizado a Educação como ferramenta para denunciar à sociedade o sistema econômico e social que, diariamente, deixa de lado o cumprimento de suas funções básicas para atender, como prioridade, as exigências e interesses de grupos sociais detentores do capital e do poder. Isto é visível quando não são executadas as determinações previstas em lei no tocante à educação básica – ensino fundamental e médio. Aos filhos dos pobres e excluídos são lhes oferecidas salas de aula superlotadas; improvisadas e duvidosas concepções pedagógicas; prédios com espaços incompatíveis do ponto de vista arquitetônico, acústico e de iluminação (há escolas públicas nas quais a alcunha de presídio só não é mera figura retórica em virtude da ausência de elementos outros que caracterizam cadeias e institutos de detenção); material didático adquirido sem cumprir os ritos da legislação no que tange aos processos de licitação; plano de carreira ofe...

Carta do gerente aos membros do clube – seção AL.

Senhores membros, Quero ser breve, objetivo. Conforme circular, inadvertidamente publicada, venho por intermédio desta reforçar a urgência de não perdermos de vista o comprometimento e empenho de todos ratificado em nossos encontros. Não obstante, temos encontrado falhas imensas as quais, devo dizê-los com tristeza, nos custarão muito. São elas: Por que ainda não conseguiram privatizar o ensino nos estados do Sudeste brasileiro? Não adianta tro-ló-ló como resposta. As condições estão dadas. Até a ajuda de um desequilibrado surgiu e ninguém está tirando proveito. As universidades públicas continuam sendo as melhores: vocês conseguem enxergar que este dinheiro poderia ser nosso? O ataques aos professores tem diminuído! Por que as emissoras líderes em audiência já não conseguem emplacar níveis de participação tão grandes quanto 10 anos atrás? É preciso dizer com maior veemência que internet custa caro. As pessoas deixarão de comer para pagar conta de banda larga, pagar prestaçã...