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A música

Cuidar do próprio trabalho – frequentar cursos de qualificação, atualizar-se, pensar em investir em novas possibilidades – cuidados com a saúde, lazer; constituir família ou zelar da esposa/o; são tarefas corriqueiras de todo trabalhador contemporâneo. Mas, observe, não poucos são esmagados por um pensamento consumista cuja missão é extrair o máximo possível das energias do indivíduo enquanto ele é distraído com “vantagens e generosidades” do tipo adquirir o carro que lhe proporciona status e reconhecimento entre seus pares e que também consegue provar para os vizinhos que ele é um fulano relevante; equipamentos de última geração para manter-se conectado e ampliar as chances profissionais e de lazer; além de pacotes extremamente convidativos para um final de semana em resorts com centenas de opções de entretenimento; mais isto, mais aquilo mantem-no enebriado enquanto os meios de comunicação – também empregados como veículos essenciais para inspirar, acender o desejo – dão conta da fr...

Nós e Eles

Esse eles é uma referência aos E.U.A. e o nós, aos brasileiros. A condição econômica, organização da sociedade – ocupação geográfica – o desenvolvimento cultural e tecnológico e o “way of life” como sonho de consumo, aspiração de realidade. Com frequência ouvimos de pessoas, comuns e daqueles mais abastados, reclamações, murmúrios de coisas banais como a compra de um aparelho de TV, acesso a internet, qualidade da educação; o preço e a qualidade dos veículos fabricados no Brasil e tantas outros quesitos do cotidiano. Até é possível lembrar o slogan “quem compara compra melhor”. É assim que aparece a sugestiva ideia quando olhamos os dois países localizados nas extremidades do continente americano. Mas, os irmãos do norte levam vantagem, no sentido de ter coisas muito melhores que nós do sul e, sobretudo, latinos? Seria tristeza gigantesca se parássemos, para consultar, conferir apenas nossas conquistas. Nosso olhar para o exterior, a aparência, dos est...

O racismo

O racismo [ "...es un sistema de desigualdad étnica y racial que las prácticas sociales discriminatorias, incluido el discurso, reproducen em el nivel local (micro) y que las instituciones, organizaciones y relaciones generales entre los grupos reproducen em el nivel global (macro). Las ideologías racistas potencian cognitivamente tal desigualdad. " (Van Dijk, 2003, p. 54)]. Conta a lenda que um rico senhor resolveu desfazer-se de todas as suas posses. Levantou-se logo pela manhã e, decidido, convocou os empregados todos. Surpresos com tamanha urgência no chamado, supunham que alguma desgraça havia se abatido sobre o patrão. A esposa e os três filhos não entendiam o que estava acontecendo, mas aceitavam a decisão. Nenhum funcionário recebeu menos que o outro, só os filhos é que tiveram porção maior entre todos. Desfeita a reunião, saíram para a cidade a fim de registrarem em cartório a iniciativa do agora ex-patrão. Não demorou muito a cidade notou...

"Andar com fé eu vou..."

Nada não. Se avexe não! O "jornau" carioca tropeçou e caiu numa arapuca. Explico: em 07/06/2012, Mônica Bergamo, na FSP, publica um texto com o sugestivo título "C abo eleitoral - É Dilma Rousseff, e não Lula, o personagem que preocupa a campanha de José Serra (PSDB-SP) em SP. Na análise da equipe tucana, o ex-presidente pode levar seu candidato, Fernando Haddad, a um patamar de até 40% dos votos. Mas tem teto na cidade, onde nunca venceu eleição. Já Dilma poderia fazer a diferença na classe média" Logo, o JN ao divulgar com estardalhaço que "os beneficiários do Bolsa Família não buscam emprego formal" massageou o ego, a ira dos maiores críticos dos programas de distribuição de renda - aqueles audiência cativa do plim-plim e leitores do prestigiadíssimo semanário nacional, inconsoláveis com a prisão d... Quem divulgou o estudo? A equipe da JK de saias. Segundo a M. Bergamo, na FSP de 07/06/2012, para quem ela enviou essa mensagem? O quê “ela di...

Simplicidade?

Salomão, o sábio rei do povo judeu, tornou-se uma pessoa cuja admiração motivou outros reis (especificamente a rainha de Sabá) a ter um encontro, vê-lo pessoalmente. Penso que a pessoa do sr. Luís Inácio Lula da Silva é uma dessas personagens  cujo carisma aproximam-no, mesmo nos momentos mais angustiantes de sua vida íntima, de um homem simples cuja máxima de sua existência é não vestir-se da imponência para ser humano. O vídeo acima é um trabalho belíssimo do Jornal Folha de São Paulo cujo texto foi publicado no dia 30/3/2012. Não é a entrevista na íntegra, mas dá uma pequena mostra do que foi a primeira entrevista do ex-presidente após o tratamento de um câncer. Parabéns às duas jornalistas (entrevistadoras) e à equipe que colocou o vídeo no ar. P.S.: Se houver algum impedimento para que este vídeo esteja nesta página, pessoal, avise-me, por gentileza.

Contar estrelas

Aproveitar a vida é sempre um exercício duplo: ousadia e prudência constituem-se numa argamassa especial para construir e compartilhar histórias; para ser ouvinte de histórias e, ainda, inspirar histórias duradouras no cotidiano de pessoas verdadeiras, apaixonadas pela vida, pela família e amigos. Os pássaros, as árvores e as nuvens existem todos os dias, contudo, nem sempre estamos atentos ao seu canto, sua folhagem e à sua sombra. Estão disponíveis à espera de um caminheiro que possa ouvir seu canto, abrigar-se em sua sombra,  olhar para o alto e imaginar - como criança - as imagens formadas e deformadas pelo vento. Ser aniversariante é, desculpe-me o excesso de pretensão, em companhia dos amigos que o Senhor nos acrescenta, contar as estrelas nas noites frias ou calorentas e dizer para os ouvidos entenderem: “Confia no SENHOR e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade.” Salmos 37.3

Aragem política

Sou fã de literatura. É um rio que transborda, remove sujidades, espalha novas ideias por vias nas quais a águinha de todos os dias, emangueirada, não consegui produzir os mesmos efeitos. Quando se acessa um novo autor, ou velho conhecido, mas ainda não lido, tem a sensação física, emocional e odorífera de um tempo após a chuva. Tomei coragem para começar a ler um clássico habitué da literatura latino-american, Pablo Neruda. São textos deliciosos. Impressionou-me o fato de encontrar ali poemas nos quais se explicita a mediocridade deixada como legado pelo colonizador europeu no continente americano – do centro ao sul. Estamos tão acostumados a ouvire ler textos simplórios sobre os desdobramentos culturais, econômicos, humanos e sociais resultantes dos séculos de colonização, que não damos a devida importância ao que de fato ocorreu/ocorre. Vergonhosamente, encaramos os nossos vizinhos com singelo olhar exótico. Sem contar que, nós brasileiros, “atravessamos para a Eu...